
Dente não é pedra encravada no osso. Ele está suspenso por um ligamento, dentro de um osso que se renova o tempo inteiro. É isso que torna a movimentação ortodôntica possível.
A tração que o aparelho aplica
Aparelhos fixos ou móveis fazem a mesma coisa em princípio: aplicam uma força leve e contínua sobre o dente, numa direção planejada. Essa força não “empurra” o dente através do osso. Ela desencadeia uma resposta biológica.
O que acontece no osso
Ao redor da raiz existe um ligamento que conecta o dente ao osso. Quando a força é aplicada, esse ligamento fica comprimido de um lado da raiz e estirado do outro. O organismo responde a esses dois sinais de forma diferente:
- No lado comprimido, células especializadas reabsorvem o osso, abrindo espaço.
- No lado estirado, outras células depositam osso novo, preenchendo o que ficou para trás.
O resultado é que o dente se desloca lentamente na direção da força, e o osso acompanha. Não há perda óssea: ele é removido de um lado e reconstruído do outro, de modo que o dente chega à nova posição com o mesmo suporte que tinha antes.
Por que isso precisa de planejamento
A direção, a intensidade e o tempo da força determinam como essa remodelação acontece. Força demais ou mal direcionada não acelera o processo — pode comprometer a raiz ou o osso. Por isso a movimentação ortodôntica é planejada caso a caso pelo ortodontista, com exames que mostram a posição de cada dente, a espessura do osso e a mordida como um todo.
Adultos: o mesmo processo, em outro ritmo
Adultos podem usar aparelho. A biologia é a mesma. A diferença é que, em crianças e adolescentes, o osso está em crescimento e se remodela com mais rapidez; no adulto, o osso é mais denso e a resposta celular, mais lenta. O deslocamento acontece, mas leva mais tempo para a mesma distância, e o planejamento precisa levar isso em conta.
Se você tem dúvidas sobre o seu caso — seja criança, adolescente ou adulto — agende uma avaliação. O primeiro passo de qualquer tratamento ortodôntico é entender a sua mordida.